A relação entre o arquitecto e o cliente, a par das competências técnicas do primeiro são os aspectos mais decisivos na qualidade de um Projecto de Arquitectura.
A capacidade que o arquitecto tem de absorver as necessidades do cliente, de as ouvir e compreender é fundamental. Mas essa informação não deve ser incorporada no projecto sem espírito crítico. As ideias dos clientes e as suas dificuldades devem assim ser compatibilizadas com a legislação, a paisagem, as condicionantes de preço, a funcionalidade e a estética. Só esta estratégia garantirá que o Projecto foi elaborado para um cliente específico como se tratasse de um fato à medida para ser “vestido” durante várias décadas.
A retórica da pormenorização e do rigor parece ter os dias contados, cada vez mais se observa que as escolhas ficam limitadas a opções de catálogo. A engenhosa estratégia para contornar problemas de produção do desenho, deu lugar progressivamente à “estética de bricolage”. A realidade virtual tem vindo a desumanizar a arquitectura e o imediatismo de visualizações “supra realistas” são tornadas acessíveis por softwares banais para descrever o falso imaginário da arquitectura e de todo um negócio especulativo que rodeia a construção. O rigor da representação formal foi substituído por uma visão pictórica idealizada sem qualquer personalização transpondo padrões de utilização da habitação sem enquadramento da vida própria do seu utilizador.
A temática da Habitação acaba por ser também o espelho da situação social e económica em que se insere. Sabemos das rigorosas condições económicas actuais e como tal damos importância aos aspectos de funcionalidade, estética, o utilizador específico a relação com o lugar e a cultura da comunidade.