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Acústica Arquitectural
Acústica Arquitectural

A Acústica Arquitectural conjuga todo um sistema de intervenções de projecto necessárias à obtenção de espaços com exigências de isolamento e tratamento acústico.

Não é possível equilibrar uma intervenção sem aplicar primeiro as técnicas de isolamento e contenção do som e então posteriormente efectuar o tratamento acústico das superfícies para o fim a que se destinam.

Fui técnico, locutor e realizador de Rádio durante 18 anos tendo iniciado a carreira em Moçambique depois Rádio Ribatejo, Rádio Renascença, Emissores Associados de Lisboa, Rádio Clube Português e Radiodifusão Portuguesa onde mais tarde como Arquitecto passei a projectar os estúdios da RDP.

A longa experiência de utente e projectista a par da necessidade de intervir em espaços com características muito exigentes levou-me a aprofundar o estudo da Acústica Arquitectural.

Fui interveniente em todos os estúdios construídos para a Radiodifusão Portuguesa desde 1981, mais de 70 unidades no Continente na Madeira nos Açores e em Cabo Verde, além de ter sido chamado para os projectos da TSF, Rádio Paris Lisboa e Rádio Renascença.

A experiência adquirida em cada Projecto possibilitou formalizar 8 novos Estúdios para a RDP – Norte no Monte da Virgem em Vila Nova de Gaia no Media Parque com uma qualidade construtiva excepcional.

O conforto acústico numa habitação é um factor de extrema importância no nosso quotidiano.

A construção em altura veio provocar situações de desconforto que nas moradias isoladas normalmente não ocorrem. A transmissão do ruído entre os diferentes fogos é o reflexo de uma má construção, que pode ser resolvida sem necessidade de mudança de residência, que se resolvem aplicando técnicas que sendo correntes nos casos especiais (como estúdios de rádio), em situações comuns evitam "dores de cabeça".

Veja se algum destes casos lhe lembra algo:

-"Oiço os passos do vizinho de cima"

-"Oiça as conversas dos meus vizinhos do lado"

-"O rolamento dos carros na minha rua, é como se estivessem dentro de casa”

-"Sei quando os meus vizinhos vão ao WC"

-"Tenho um comércio e os meus vizinhos de cima estão incomodados com o ruído"

-"Tenho uma máquina na empresa que provoca um ruído insuportável"

-"Na sala de reuniões da empresa, em certos locais, não se compreende nada"

-"No meu restaurante para se ter uma conversa temos que berrar"

Consulte-nos...efectuaremos uma análise da sua situação, efectuaremos o levantamento da situação, daremos uma resposta ao seu problema.

A Acústica

Os materiais e sistemas utilizados especificamente na Acústica de Edifícios são usados em dois tipos de situações que importa distinguir:

- Isolamento sonoro que se refere a tratar um compartimento para sons de/para locais contíguos.

Este CASO refere-se a situações como por exemplo, discotecas onde o som aí produzido não pode ser audível (como ruído) nos vizinhos contíguos.

- Correcção acústica que se refere a corrigir um compartimento para o som aí emitido;

Este CASO refere-se a situações como salas de aula, auditórios, salas de concerto, etc. onde o som aí produzido e aí audível com qualidade é a razão principal (mas não única) do estudo acústico.

Habitualmente os materiais e sistemas ditos "acústicos" aplicam-se em situações de "correcção acústica" (embora muitas por vezes se veja erradamente escrito como sendo materiais de "isolamento sonoro").

O parâmetro caracterizador desses materiais é o coeficiente de absorção sonora (alfa) e é a relação existente entre a quantidade de energia sonora que é absorvida pelo material e aquela que sobre ele incide (varia pois entre 0 e 1).

Assim, um material que possui um (alfa); de 0,10 absorve 10 da energia que sobre ele incide.

Um material muito reflector (por exemplo, mármore polido) apresenta um (alfa); quase nulo (0,01 ou 0,02).

Os materiais ditos "absorventes" têm (alfa); superior a 0,5.

Convém referir que por vezes aparecem (em catálogos) valores de (alfa); superiores a 1,0 (valores irrealistas mas que se devem unicamente à metodologia da sua determinação e que não devem ser usados em cálculo).

O valor de (alfa); para um dado material varia com a frequência do som incidente.

Por vezes é usual aparecer a caracterização pelo parâmetro NRC (noise reduction coefficient) que se define como a média aritmética dos valores de (alfa); nas bandas de oitava dos 250 aos 2k Hz.

Existe um outro parâmetro "médio" denominado aw que se obtém por ajuste ponderado duma curva de referência usando as bandas de oitava dos 250 aos 4k Hz. Traça-se a curva dos valores de o por banda e determina-se a soma dos desvios positivos entre uma curva de referência móvel e os valores reais. O valor de aw é o valor lido para os 500 Hz na curva ajustada de modo a que a soma dos desvios positivos seja a mais elevada possível sem ultrapassar os 0,10. Sempre que o (alfa) medido excede o do valor de referência em 0,25 ou mais, acrescenta-se uma letra "indicadora de forma" entre parêntesis (L, M ou H consoante acontecer nos 250-500, 1k-2k ou 4k Hz).

Existem ainda as "classes de absorção sonora": A ((alfa) > 0,90), B (0,80 < alfa < 0,85), C (0,60 < alfa < 0,75), D (0,30 < alfa < 0,55), E (0,15 < alfa < 0,25) e não classificado (alfa < 0,10).

Os materiais e sistemas absorventes sonoros podem agrupar-se em três categorias em função das suas características básicas (e que actuam em gamas distintas de frequências): Porosos e fibrosos (mais eficazes nas altas frequências); Ressoadores (mais eficazes nas médias frequências); Membranas (mais eficazes nas baixas frequências).

Materiais porosos e fibrosos

O mecanismo de absorção sonora destes materiais baseia-se na existência de poros e interstícios. Quando as ondas sonoras incidem nestes materiais fazem transferir parte da sua energia no movimento das fibras que resistem por fricção entre elas. Por isso a energia transforma-se em calor. Se as fibras estão muito soltas e afastadas haverá pouca energia perdida em calor. Ao contrário, se as fibras estiverem muito concentradas, não haverá muita penetração no material e o movimento do ar não gerará fricção suficiente para ser eficaz. Entre estes dois extremos estão os bons materiais absorventes sonoros. A sua eficácia depende essencialmente da densidade e da espessura.

A eficiência destes materiais depende da sua capacidade em dissipar a energia nos seus poros. Tal pode ser grandemente prejudicado se tais poros forem preenchidos com material como quando se pintam tais superfícies (embora haja capacidade de pintar, com técnicas e materiais adequados, de forma a não colmatar na totalidade os poros).

Estes materiais podem agrupar-se em diversos tipos:

Tecidos e alcatifas – Os tecidos (cortinas e reposteiros) têm o seu comportamento dependente do seu peso específico, do grau de franzido com que cobrem a superfície e da distância à parede. As alcatifas têm o seu comportamento dependente da espessura do pelo e do tipo de suporte.

Massas porosas para projecção – Apresentam uma massa específica de 150 (+/- 15) kg/m3 e têm um excelente comportamento acústico.

Aglomerados de fibras de madeira.

Fibras minerais – A absorção sonora destes materiais em mantas ou painéis rígidos ou semi - rígidos (lã de rocha, de escórias de cortiça, etc.) varia em função do efeito da sua espessura, densidade e largura da caixa-de-ar existente.

O aumento da espessura da manta de lã mineral faz aumentar a absorção sonora essencialmente nas baixas frequências (à medida que a espessura aumenta, o ganho é cada vez menor).

A densidade do material também afecta a absorção sonora do material, embora com pouco significado se dentro duma razoável gama de valores (40 a 100 kg/m3).

Materiais plásticos – Poliuretano expandido, Poliestireno expandido ou Espumas flexíveis de poliuretano.

Aglomerado negro de cortiça (espessura de 20 a 40 mm), que se pode considerar como um eficaz absorvente sonoro.

Ressoadores

São sistemas formados por uma cavidade (de paredes rígidas) tendo uma única abertura estreita (as formas clássicas correntes são circulares, mas também já são correntes formas oblonqas ou cónicas).

O ar penetrando na cavidade é colocado em vibração, entrando e saindo dela, de modo idêntico ao que acontece num sistema mecânico massa/mola.

A massa em movimento é a do ar contido na cavidade e a mola, o ar existente no volume interior.

A frequência de ressonância deste sistema depende do volume da cavidade e das outras dimensões geométricas.

A zona de eficácia do sistema pode ser variada (em frequência) pela inclusão de material com maior ou menor poder de absorção sonora na caixa-de-ar embora se altere a amplitude de absorção. Existem sistemas em blocos de argamassa leve muito embora continuem a ser os ressoadores agrupados os mais usados (por exemplo, painéis perfurados, metálicos ou de madeira) para revestimento de paredes ou para tectos falsos).

A percentagem da área perfurada faz aumentar a eficácia, podendo ainda alterar-se o comportamento do ressoador controlando a caixa ressonante.

Membranas

São sistemas que absorvem as ondas sonoras pela capacidade de absorção vibrática em toda a sua superfície tais como os painéis não perfurados (em geral, painéis de madeira ou seus "derivados") e que por fricção das suas fibras perdem calor sempre que o material entra em flexão.

Estes sistemas absorvem a energia correspondente à frequência do som incidente que por sua vez corresponde à sua frequência natural de vibração.