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Arquitectura Sustentável
Arquitectura Sustentável

É importante começar por definir alguns conceitos como a pegada ecológica, as emissões de CO2, consumos de energia não renovável e o uso de energias renováveis. Depois deveremos aplicar esses mesmos conceitos à realidade da construção para podermos perceber algumas respostas correctas no momento de construir. Contudo deveremos também perceber o conceito de vida útil do edifício e o modo em como este pode prejudicar o meio ambiente ou viver em perfeita harmonia com este.

A arquitectura e o urbanismo amigo do ambiente são áreas onde tem existido uma constante procura do mercado. Um dos factos a que assistimos no negócio imobiliário é que só aqueles que têm mais-valias têm sobrevivido. Nesse sentido, investir na sustentabilidade é essencial, todavia, é também um facto que poucos gabinetes têm arquitectos e engenheiros verdadeiramente sensibilizados ou especializados no desenvolvimento de edifícios sustentáveis.

No nosso caso, investimos bastante nesse aspecto e temos projectos de arquitectura sustentável executados desde há alguns anos em que aplicámos várias soluções reconhecidas, porque o papel do arquitecto é precisamente defender uma arquitectura sustentável e mais amiga do ambiente.

A sustentabilidade económica e ecológica é precisamente a mesma coisa.

“Eco” quer dizer poupança. “Logia” vem de lógica. Ecologia é assim a lógica da poupança. “Nomia” significa número. Economia é assim a poupança do número. Os dois conceitos não só não se opõem como se completam. Fazer uma arquitectura sustentável é tornar a construção e a vida do edifício bastante mais eficiente. simplesmente requer conhecimento especializado por parte do arquitecto e das engenharias.

O conceito de arquitectura sustentável ou amiga do ambiente representa no fundo todas as propostas que permitem a redução de um consumo de energias não renováveis e assim reduzir ao máximo a intervenção nos ecossistemas existentes.

Para melhor compreendermos o conceito é importante partilhar algumas definições:

Energias renováveis – Todas as fontes de energia cuja renovação é infindável. A energia eólica, solar, hídrica (marés, ondas e rios), geotérmica são exemplos de fontes de energia inesgotáveis.

Energias não renováveis – Todas as fontes de energia que podem ser consumidas e das quais não dispomos de fontes inesgotáveis. O petróleo, o gás, o bio diesel, a bio massa são tudo exemplos de fontes de energia que se podem esgotar.

Emissões de CO2 – Toda a combustão presente na utilização de uma fonte de energia não renovável consome oxigénio e liberta CO2. Este processo é prejudicial para o planeta na medida em que o dióxido de carbono libertado aumenta o efeito de estufa e consequentemente o aquecimento global.

Efeito de estufa – Este efeito é aquele gerado pela atmosfera terrestre na medida em que mantém parte da temperatura acumulada e que provém da radiação solar. Ora, alguns gases como o dióxido de carbono aumentam este efeito e reduzem a capacidade do planeta reflectir calor.

Aquecimento global – Este é o resultado do aumento do efeito de estufa. No fundo é a primeira consequência do aumento deste processo. As temperaturas médias aumentam e desequilibram os ecossistemas milenares.

Para que um edifício se torne ecológico tem no fundo que reduzir ao máximo o impacto no ambiente envolvente. Para isso tem que reduzir as emissões de CO2 e utilizar mais energias renováveis. Neste capítulo convém reflectir um pouco sobre a melhor forma de habitar em harmonia com a natureza. Muitas destas decisões são tomadas no Projecto de Arquitectura. Outras são através de uma utilização responsável dos meios postos ao dispor de quem habita.

  • Algumas escolhas simples:

Escolher plantas que estão habituadas, preparadas e adaptadas aos ambientes existentes permite poupar recursos energéticos para as manter e ao mesmo tempo não danificam os ecossistemas existentes.

A utilização de materiais existentes próximo da obra em causa é uma técnica ancestral. Permite que por um lado os locais mantenham uma homogeneidade estética e por outro que não existam grandes deslocações de matéria-prima. Ora as deslocações de material são danosas para o ambiente na medida em que se consomem recursos energéticos e se emite dióxido de carbono para a atmosfera.

Sempre que os locais obriguem a grandes deslocações logísticas resultantes das opções construtivas, estas deverão ser revistas. Por exemplo, quando uma central de betão se encontra muito afastada de um determinado local deverá ser privilegiada uma estrutura de madeira ou de aço leve. Por outro lado, e sempre que possível, as estruturas deverão ser aligeiradas. Estruturas mais leves consomem menos recursos energéticos e como tal menor impacto no ambiente.

Para uma construção sustentável é conveniente ter em conta que deverão ser evitados os produtos tóxicos ou nocivos para o ambiente. O amianto é um deles pois é mais que evidente o risco para o ser humano. Mas outros produtos deverão ser também evitados. Exemplos a evitar são o vinil que deverá ser substituído pelo linóleo. Outros casos a não recorrer são os vernizes e as tintas resultantes de pigmentos não naturais.

Uma construção sustentável opta por materiais bio degradáveis. Isto significa que rapidamente o material se transforma e é absorvido pelo ecossistema. Materiais como o policarbonato demoram séculos a serem englobados pela natureza e interferem gravemente na cadeia alimentar pois matam animais que os confundem com alimentos. Materiais como a madeira rapidamente apodrecem e são matéria orgânica integrada na natureza. Materiais bio degradáveis com comportamento semelhante é a lã, o bio plástico ou a cortiça que podem ser integrados nos acabamentos de qualquer edifício.

Uma construção ecológica opta por materiais que se reciclam para usos diferentes. Materiais como o ferro, o vidro e outros, muito embora sejam produzidos com grandes quantidades de energia, podem facilmente ser reciclados. Poupa-se assim o impacto que possa ter o seu aterro e poupa-se assim energia num novo produto, pois é matéria-prima já elaborada.

  • As opções técnicas

Um edifício pode ter autonomia energética, mas para isso é necessário um conjunto de características especiais. Em primeiro lugar terá de consumir menos energia. Em segundo lugar deverá produzir alguma forma de energia. E em terceiro lugar terá também de não desperdiçar nenhuma forma de energia.

A eficiência energética é um tema chave da actualidade na exacta medida em que se torna ela própria um instrumento para atingir um mundo mais sustentável. Ser mais eficiente energeticamente é poupar recursos do planeta e aproveitar a energia disponível causando o mínimo impacto nos ecossistemas que nos envolvem. Deste modo todas as estratégias que nos permitam poupar energia são fulcrais e deverão ser introduzidas nos projectos pela Arquitectura sempre que ajustados à viabilidade financeira, à funcionalidade e ao património e espírito de cada lugar.

Poupar energia significa percorrer metade do caminho para a uma utilização mais eficiente de energia. Gastar menos significa ter de produzir menos e consequentemente permite-nos intervir menos no meio ambiente e respeitar mais assim os ecossistemas.

Pode parecer um ovo de Colombo, mas efectivamente reduzir consumos pode ser algo bastante mais simples. Deveremos perguntar-nos se precisamos de manter a temperatura ambiente com o mesmo valor no Inverno ou no Verão. Ao mesmo tempo deveremos interrogar-nos. Muitas das vezes estes valores podem perfeitamente ser bastante mais afastados e isso será suficiente para baixar automaticamente os consumos relativos ao arrefecimento no verão e ao aquecimento no Inverno.

Grande parte dos edifícios pode ver a sua capacidade de reter temperatura reduzida dado a baixa capacidade de isolar a temperatura interior do exterior. Nesse caso a introdução de materiais como lã de rocha ou poliestireno, ou simplesmente uma caixa-de-ar nas paredes aumentará enormemente a capacidade de manter a temperatura num espaço.

As pontes térmicas tratam-se de determinadas zonas do edifício em que o isolamento térmico não é contínuo e como tal temperatura do interior é mais influenciada pelo exterior do que nos outros locais. Estes pontos devem ser tratados e reduzidos.

A reutilização de ar climatizado ou o aproveitamento de águas sujas acaba por reduzir as necessidades de energia. Existem diversos sistemas para o efeito a introdução de qualquer um destes permitirá baixa o consumo de energia.

Aumentar as entradas de luz nos sítios onde esta é bem vinda ou reconduzi-la para onde é necessário reduzirá a produção de energia necessária para iluminar e como tal, reduziremos os consumos energéticos.

Aumentar os processos de ventilação natural através de mecanismos como a ventilação transversal ou a utilização do movimento de ar quente ascendente permitirá reduzir todos os consumos energéticos resultantes dos equipamentos mecânicos necessários para efectuar a renovação de ar. Ventilar naturalmente e desligar um equipamento é poupar enormes quantidades de energia.

Depende do tipo de domótica que estamos a utilizar. Existe domótica que apenas coloca uma motorização nos instrumentos mecânicos existentes numa habitação e que para além do ganho de conforto apenas representa um gasto energético supérfluo. Aí um arquitecto com consciência daquilo que representa a arquitectura sustentável apenas lhe aconselhará a não o fazer. Contudo existem algumas soluções no mercado que garantem que a actuação motorizada destes elementos mecânicos de uma habitação contemporânea pode ser utilizada de modo a utilizar a energia solar passiva e as horas em que utiliza os espaços. Ora os arquitectos sabem que aqui existe uma forte poupança energética e será aconselhado pelo arquitecto Fernando Lapa a utilizar este tipo de sistemas se possuir um orçamente suficiente para tal.

A eficiência térmica é a capacidade que um edifício tem de conservar a sua temperatura. Ao fazê-lo reduz as necessidades de climatização que frequente necessitam de consumir energia para aquecer ou arrefecer um espaço. Quanto melhor for o isolamento térmico da fachada, cobertura e ensoleiramento, melhor será o rendimento do edifício. Ao consumir menos energia em climatização o ambiente sai protegido.

A produção de energia numa habitação ou num edifício pode hoje ser realizada mediante uma análise do potencial disponível. Poderão por exemplo ser disponibilizados painéis foto voltaicos para produção de energia eléctrica. Do mesmo modo poderá ser utilizado um termo sifão para aquecimento de águas sanitárias. Existe a possibilidade de usar a energia geotérmica ou aerotérmica para apoio na climatização. Poderá ser usada bio massa se houver disponibilidade de fornecimento natural de matéria orgânica responsável. Caso exista potencial eólico poderá ser utilizada uma torre eólica. É também importante analisar até mesmo em certos casos a possibilidade de instalar uma mini-hídrica para produção de energia eléctrica.

Um edifício tem muitas componentes que devem ser analisadas para permitir poupanças energéticas. A iluminação natural reduz os consumos de energia eléctrica para iluminar os espaços. A substituição das lâmpadas por novas mais eficientes permitirá uma maior economia nos consumos. A redução das necessidades de climatização através de temperaturas distintas para verão e Inverno reduzirá gastos de energia. A utilização de equipamentos de última geração reduzirá os gastos em energia do mesmo modo. Uma utilização responsável dos vãos, que poderá inclusivamente ser aliada à domótica permitirá maiores poupanças. A correcta orientação solar dos vãos em projecto permitirá também menores necessidades de climatização. A utilização de piscinas ecológicas (filtradas por plantas aquáticas) sem necessidade de climatização ou alterações químicas da água permitirá também uma menor necessidade de energia e uma integração plena com os ecossistemas envolventes.

Alguns produtos devem ser evitados durante a vida de um edifício. Sempre que possível deverão ser utilizadas piscinas cuja água é devidamente purificada através da flora e poupa-se assim o uso de químicos como o cloro que têm forte impacto no ambiente.

A conveniente separação dos resíduos sólidos permitirá a sua posterior reciclagem e como tal, salvaguardará a possibilidade de estes entrarem de novo no ciclo de consumo sem que para isso existam graves danos ao ambiente ou desperdício de energia na produção de novos objectos.

  • Acessibilidades

Poderemos definir a acessibilidade segundo várias condicionantes. A mobilidade é obviamente uma das mais importantes a resolver. Outra é sem dúvida a deficiência. E por fim é conveniente atentar às diferenças genéticas e culturais.

Dotar um edifício de acessibilidade a pessoas que a têm condicionada é mais do que uma obrigação legal um imperativo moral. Para isso existem vários elementos a ter em conta.

O Projecto de Acessibilidades é no fundo uma estratégia composta por várias medidas que permitem que todas as pessoas, independentemente das suas capacidades motoras, acedam a todos os espaços do edifício e as suas funcionalidades ou valências.

As deficiências geram potencial exclusão pela sua natureza. Contudo esse processo pode ser invertido parcial ou totalmente pelas estratégias de desenho de um edifício.

Vivemos num mundo onde a diversidade cultural proporciona um desafio constante aos arquitectos. Urge incluir e criar projectos que possam ser utilizados por diferentes grupos étnicos, religiosos e com ambientes socio-culturais distintos.

Adaptar uma casa a pessoas de mobilidade condicionada é um pouco próximo ao processo de adaptação de um edifício para pessoas com outras deficiências. Contudo, as especificidades técnicas da adaptação e as áreas necessárias de intervenção, essas sim, terão de ser necessariamente diferentes. Na mobilidade, as portas, os corredores, os armários, as escadas com equipamentos mecânicos e os espaços de manobra são as áreas de intervenção prioritárias. Contacte-nos e saiba um pouco mais sobre o processo.

É fundamental não esquecer que uma obra bem executada é também uma construção executada num estaleiro limpo e devidamente organizado. Assim garantem-se vários aspectos fundamentais: a ecologia, produtividade e segurança.

Uma obra que organiza os resíduos e os deposita nos locais próprios poupa o ambiente sem que para isso existam prejuízos associados. Na realidade, existem custos de operação, mas estes custos são largamente superados pelos ganhos de desempenho e segurança.

Deveremos referir a importância que o asseio implica em ganhos de produtividade. Uma obra limpa e arrumada permite um trabalho de maior qualidade, antecipam-se erros e evitam-se outros. Uma obra é um acto produtivo e deverá ser encarado com o mesmo rigor que o sector industrial. A grande diferença entre ambos reside no local de execução do produto, que no caso da construção coincide com o local de entrega.

A segurança está altamente dependente da organização de um estaleiro. Uma obra confusa e com matéria prima e equipamentos espalhados por todo o lado é um espaço propenso a acidentes. Organizar a obra é reduzir a possibilidade de erro do funcionário e evitar acidentes de trabalho.